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A importância de Steve Jobs para o design de experiência

Tive a honra de receber da Editora Agir, do grupo Ediouro Publicações, um exemplar do livro A Cabeça de Steve Jobs, escrito por Leander Kahney. O livro possui tradução impecável, e conta a história da Apple sob o ponto de vista de Jobs. Steve revolucionou as indústrias da computação, da comunicação e – por que não – da moda, pensando em algo que antes não se considerava: a experiência de uso.

A experiência começa desde antes do primeiro contato com um produto, quando você ouve algo a seu respeito. Se você ouve pessoas falando mal do Windows Vista, mesmo sem conhecer e usá-lo diariamente, você já terá essa impressão que pode, em um futuro próximo, determinar se você comprará ou não o sistema. O livro mostra a preocupação de Jobs com todos os processos antes, durante, e depois da compra. Dos parafusos às embalagens, e até mesmo como os produtos se comportarão com os outros produtos que o comprador já possui.

Há uma característica marcante de Steve Jobs que eu enxergo em mim mesmo: a busca pela perfeição tanto nas interfaces quanto nas interações. designers e designers por aí. Mas eu preciso compartilhar uma coisa com vocês, que aprendi lendo uma porção de livros (inclusive A Cabeça de Steve Jobs): eu não sou um Web designer, sou um designer de experiência. Eu, como designer de interação e designer de interfaces (que são coisas muito diferentes) devo me preocupar não com contextos isolados de etapas de um processo, mas como estas etapas interagem entre si.

Ao estudar design de interação, comecei a me dar conta que os projetos de sucesso online e offline são aqueles que exploram não somente como as coisas são mostradas para um usuário, mas qual a seqüência de etapas que completam os processos e qual a melhor maneira de otimizar os vínculos entre estas etapas, pois é neste quesito que – mesmo subconscientemente – o usuário considera sua navegação satisfatória ou não.

A Apple, segundo o livro, não se preocupou apenas em desenhar uma boa interface de usuário para seu software de edição de vídeos: estudou como as pessoas utilizam suas câmeras de vídeo portáteis. Desde a captura até a edição. Deste trabalho de pesquisa saíram grandes novidades que mudaram o mundo da computação pessoal e a vida das pessoas. A Apple desenvolveu a interface Firewire, otimizada para fluxo de vídeo, o software iMovie para tornar a edição divertida e descomplicada e um computador – o iMac – que além de possuir a conexão Firewire e de executar o iMovie, tornava o vínculo entre a câmera e o software simples.

Desde então, a Apple tem se preocupado em oferecer experiências. Você não compra apenas um iPod: você compra uma experiência entre você, o player, o iTunes e o seu Mac. Tudo isto, claro, foi trabalhado para que você não se preocupe com estas etapas. Você apenas precisa plugar seu iPod e o resto o seu computador e o iTunes se encarregam. Embora haja certas limitações, é uma concessão que você fez em nome de um produto que simplesmente funciona.

E é aqui o ponto onde eu quis chegar. Eu considero importante para o meu trabalho como designer de interação e de interfaces avaliar o projeto para torná-lo “invisível”, para que o artefato guie o usuário para a realização da tarefa com sucesso sem que ele precise antes aprender a usar as interfaces.

O André Braz publicou em seu blog uma nota interessante sobre Interfaces de Usuário Naturais, citando o trackpad multi-touch de seu MacBook Pro. Os movimentos feitos correspondem às ações de maneira natural, orgânica, sem que o usuário precise decorar sequências de comandos. Este é o foco ao projetar uma experiência com interfaces Web: tornás-la tão naturais que virem transparentes, que estejam lá dando o suporte à execução da tarefa mas que não se tornem um fator condicionante. Pelo menos é assim que eu vejo o assunto.

Enfim, o livro é muito bom para todos os profissionais, pois mostra que não há espaço para desleixo, que todas as etapas do processo de desenvolvimento de um produto são importantes mas que não acaba por aí. Pelo contrário, quando você entrega um produto ao usuário, sua experiência está apenas começando.

Comentários

  1. Filipe

    é Rafael,

    esse liveo é perfeito, ja li todo e comprei assim que foi lancado.

    Não só uma experencia de vida, e sim um aprendizado desse homem que revolucinou o mundo .(


  2. Thássius V'

    Não tinha ideia do que era um ‘designer de interação’. Depois desse post, tudo ficou mais claro.

    Parabéns, Marin, pelo texto :)


  3. Gleyson

    Bahhh kabei d comprar esse aew na maneco.. to loco pra ler ele, mas to ligado q o livro e tri bom, i eu vi essa semana no meio bit um eleição q elegeu steve jobs o patrao mais carismatico do mundo tecnologico…. ai pensei so podia ser o loco msmo


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